Emigração: Ir ou ficar? (participe na sondagem)
31-01-2013 21:2139% é a taxa de desemprego jovem em Portugal.
Quase todos os caminhos vão dar à emigração. Chamam-lhes a geração perdida.
Estudaram com a perspectiva de terem um trabalho que lhes proporcione qualidade de vida.
No fim, encontraram-se sem oportunidades num país que lhes deu habilitações literárias. O plano de austeridade e os sucessivos cortes orçamentais obriga-os a deixar Portugal em busca de trabalho.
Agora, o mais certo de um futuro incerto é um bilhete de ida para um país que não é o seu.
Uma oportunidade de trabalho é a esperança que levam na mala, com recordações de um país que os incentiva a emigrar.
“Agora já estou em casa”, é o que pensa o engenheiro civil Miguel Barbosa, sempre que chega a Portugal. Em 2010 ficou sem alternativa e rumou a Angola. Aos 30 anos, alterou a sua vida depois de tentar incessantemente um emprego na área da construção civil.
Miguel foi um dos quase 50 mil portugueses que rumaram a esse país nos últimos dois anos, segundo o secretário de Estado das Comunidades.
Sem ligações ao continente africano acabou por aceitar a primeira proposta concreta e “arriscou”. Mas para Miguel “sair de Portugal não foi fácil, ter de deixar para trás as pessoas todas não foi fácil”.
A integração à nova realidade foi morosa. “A vida em Angola é totalmente diferente, tive que me mentalizar e aceitar o que me rodeia”, confessa. Ajuda o bom ambiente na empresa, a Imoluanda, onde alguns dos seus colegas são também portugueses.
De Portugal lamenta “o estado em que as coisas chegaram”, a falta de trabalho não só para os jovens, “é triste e revoltante ver o que está a acontecer com o nosso país“. Lamenta ter que ir contra a sua vontade mas se ficasse seria “mais um entre os milhares que procuram emprego”.
Bruno Ramião, de 25 anos está há dois na ilha de Jersey, Reino Unido. Devido à crise socioecónomica, que atravessa o país, viu-se forçado a abandonar Portugal. “Procurava melhores oportunidades, uma melhor qualidade de vida e também um pouco de aventura “,revela.
Na altura frequentava o primeiro ano do curso de design na Escola Superior Artística do Porto (ESAD), hoje passa seis dias por semana na cozinha do El Tico Beach Cantina como chef. A escolha do destino pareceu-lhe óbvia, Jersey, já lá estava o seu irmão mais velho.
Difícil foi a adaptação. “Foi complicado, mas apenas no início, passei por alguns casos de racismo, mas facilmente ultrapassáveis, as pessoas acabam por se habituar a nós, e cá há uma grande comunidade de portugueses, o que ajuda muito na integração”,desabafa.
Mais difícil foi a decisão de abandonar o país “é um misto de sensações, se por um lado é bom para mim como pessoa e profissional, por outro deixei a família, os amigos e a namorada que me fazem falta. Mas continuar em Portugal significava sobreviver, como faz a maioria dos portugueses, e isso não conseguia suportar”, confessa.
De Portugal ficam a saudade e a vontade de voltar e ajudar a melhorar um país “onde a vida faz mais sentido”. “Tenho sempre a esperança de que as coisas vão mudar”, é isso que Bruno espera do futuro.

Filha de emigrantes Andrea Pedro, de 28 anos seguiu as pisadas dos pais. Apesar da diferença entre as gerações, a necessidade de uma vida melhor foi-lhes comum.
Emigrada no Canadá, não denota grandes diferenças entre a realidade portuguesa e canadiana. A única é a diferença salarial, que lhe “permite viver sem sobressaltos”, e não “sobreviver como fazia em Portugal”.
Por isso, e apesar das “saudades que apertam”, e “a vontade de por vezes desistir” espera conseguir residência permanente e deixar para depois a decisão sobre voltar.